E mais: Janela de Cinema, Mix Brasil e O Agente Secreto
A trajetória de Paulete Lindacelva é marcada pela passagem entre diferentes territórios musicais e geográficos. Formada no ambiente cultural do Recife, onde o afoxé e o maracatu moldaram suas primeiras experiências sonoras, ela se consolidou na música eletrônica a partir de uma relação direta com a cena independente e queer da cidade, especialmente por meio da festa INFECCIOSXS, da qual foi integrante e produtora.
A newsletter desta semana destaca o papo que fizemos com Paulete, que acaba de lançar o novo EP, Ácido Brasil, um trabalho em que reflete sobre sua mudança para São Paulo após anos como parte da cena independente e underground recifense.
“Vejo a cena de Recife como uma cena bafo, uma cena próspera. Tem uma dificuldade de crescer, porque é difícil se organizar em uma cidade que precariza tudo que é voltada para a cultura, mesmo sendo uma cidade muito cultural”, diz Paulete em papo com o repórter Antônio Liro. “É essa loucura de dizer e se orgulhar muito do que tem, mas não há políticas públicas de fortalecimento na cidade.”
“Hoje é a House Music que paga as minhas contas. Salvou a minha vida. Eu até falei isso em algumas entrevistas: “O house salvou a minha vida’. É meio caricato, mas é real, porque é o que me trouxe sustento. Eu vivia abaixo da linha da pobreza no Recife. Eu não tenho nenhum problema em falar isso. Como eu vivia com isso? Não sei, mas vivia. Estou viva até hoje. Estou aqui”, diz ela.
Viva Paulete Lindacelva! A semana tem ainda a nossa cobertura do Janela Internacional de Cinema, crítica de O Agente Secreto e o novo do Jafar Panahi, Foi Apenas Um Acidente. E muito mais. Excelente leitura.
Alexandre Figueirôa e Paulo Floro – Editores.
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“Tem alma, tem soul, tem groove”: um papo com Paulete Lindacelva, que lança o EP “Ácido Brasil”
Paulete Lindacelva lança o EP Ácido Brasil e fala à Revista O Grito! sobre o processo do disco, sua relação com a música eletrônica e o impacto das mudanças entre Recife e São Paulo na própria criação. Na conversa, ela comenta a formação na cena queer pernambucana, o papel da festa INFECCIOSXS em sua trajetória e como a migração influenciou sua percepção de pertencimento e identidade artística. O EP reúne referências de house, música brasileira e sonoridades experimentais, marcando uma nova fase da cantora, que também aborda sensações ligadas à cidade, ao corpo e à experiência de deslocamento. Paulete detalha o trabalho com produtores, a construção das faixas e o percurso até consolidar Ácido Brasil como seu novo projeto.
O Agente Secreto: crônica da brutalidade cotidiana

Kléber Mendonça Filho canaliza para o seu roteiro esse brio recifense que volta e meia escorre como meme nas redes sociais, mas que faz muito sentido para quem é daqui ou que já conviveu com algum recifense bairrista por algum momento. Os personagens estão sempre em posição de defesa, sempre reativos, mesmo que discretamente ou de maneira não muito óbvia. Passado em meio a um dos períodos mais brutais da ditadura militar, em 1977, o filme não mostra nenhum soldado, mas a presença do regime está presente nos detalhes e no cotidiano, o que transparece na ambientação de uma sociedade num permanente estado de suspensão. Leia nossa crítica.
A nossa cobertura de O Agente Secreto.
Além de O Agente Secreto: a filmografia de Kléber Mendonça Filho
Entrevista Kléber Mendonça Filho: em busca do Recife perdido
Entrevista Thales Junqueira, diretor de arte de O Agente Secreto
Mais destaques

“Foi Apenas Um Acidente”: certas feridas jamais irão cicatrizar. Jafar Panahi condensa domínio narrativo e estilístico em obra vencedora da Palma de Ouro em Cannes.
Salário médio de profissionais de animação encolheu 12,1% desde 2019. Segundo levantamento, a maioria atua como freelancer, sem garantias trabalhistas.
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Prefeitura do Recife escolhe Lenine, Carmen Virgínia e Madeira do Rosarinho como homenageados do Carnaval 2026. Anúncio destaca música, culinária afro-brasileira e tradição centenária de bloco carnavalesco.
Prêmio Biblioteca Nacional premia obras de Beatriz Bracher sobre a Guerra do Paraguai. Na categoria conto, o vencedor foi Tantra e a Arte de Cortar Cebolas, de Iara Biderman. Em poesia, Pote de Mel e Outros Poemas, de Leonardo Gandolfi, foi o escolhido.
Coletânea Laboratório Tropical reúne artistas brasileiros pela lógica do improvável. Primeiro volume da coletânea apresenta oito faixas inéditas criadas a partir de encontros presenciais entre 16 músicos de oito Estados.
Morre Lô Borges, um dos fundadores do Clube da Esquina, aos 73 anos. O músico estava internado no Hospital Unimed em Belo Horizonte desde o dia 17 de outubro devido a uma intoxicação medicamentosa.
MixBrasil apresenta programação da 33ª edição com 142 filmes de 33 países. Evento em São Paulo reúne cinema, teatro, literatura, games e mostra de inteligência artificial.
A nossa cobertura do Janela Internacional de Cinema

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