Comunidade trans repudia Emilia Pérez

E mais: Carnaval, Rec-Beat e Milton Nascimento no Grammy

A cobertura de cultura nessas últimas semanas está com um olho no Oscar e outro no Carnaval. E aqui na Revista O Grito! não está diferente.

Esta semana estreou o longa Emilia Pérez, o mais polêmico dos filmes indicados ao Oscar (são impressionantes 13 indicações). Além dos tuítes racistas e preconceituosos da atriz Karla Sofía Gascón, que foram desenterrados, o filme por si só também é problemático.

Fizemos uma reportagem sobre o impacto da produção entre a comunidade trans. Para muitas jornalistas e pesquisadoras, Emilia Pérez falha em trazer profundidade ao tema e não tem nenhuma empatia ao focar a transição de gênero apenas pelo aspecto médico-biológico.

Essa temporada de premiações está bem agitada como há anos não se via.

A News dessa semana tem também novidades do Rec-Beat, que anunciou sua escalação internacional recheada de nomes afrolatinos. E ainda: dia do frevo, uma homenagem do Homem da Meia-Noite à Iemanjá e muito mais. Boa leitura! – Paulo Floro e Antonio Lira.

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Por que “Emilia Pérez” é repudiado pela comunidade trans?

Indicado a 13 categorias no Oscar, Emília Pérez, de Jacques Audiard, tem gerado intensos debates – em meio às outras discussões envolvendo a atriz Karla Sofía Gascón – sobre sua abordagem da identidade trans e da cultura mexicana. Especialistas criticam a narrativa por reforçar estereótipos e simplificar a transição de gênero de forma maniqueísta. A recepção no México foi amplamente negativa, com acusações de exotificação cultural e falta de representatividade autêntica. Além das críticas, o filme também inspirou reações como a sátira Johanne Sacrebleu e análises de teóricos como Paul B. Preciado, que vê na obra uma coleção de clichês coloniais. Leia a matéria completa e entenda o debate.


kasa branca

“Kasa Branca”: a favela enquanto lugar de afeto

Kasa Branca (2024), primeiro longa de ficção de Luciano Vidigal, é um exemplo potente do movimento que segue ressignificando corpos e narrativas negras no cinema brasileiro. Ambientado na favela, o filme constrói uma geografia afetiva da periferia carioca, destacando redes de apoio, juventude e a força da cultura na resistência cotidiana. A crítica de Alexandre Cunha destaca a forma como o filme equilibra humor, arte e denúncia social com uma abordagem sensível e autêntica.


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Milton Nascimento comenta sobre assento negado na cerimônia do Grammy

A ausência de um assento VIP para Milton Nascimento na cerimônia do Grammy 2025 gerou grande repercussão. Indicado na categoria Melhor Álbum Vocal de Jazz pelo disco Milton + Esperanza, o cantor brasileiro, de 82 anos, foi alocado na arquibancada enquanto sua colega de projeto, Esperanza Spalding, teve um lugar na área principal. Em protesto, Spalding colocou uma foto de Milton sobre a mesa, com a mensagem: “Esta lenda viva deveria estar sentada aqui!”. A equipe do artista esclareceu que a decisão partiu da Academia da Gravação, que priorizou nas mesas os artistas destacados na transmissão oficial.


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Marcelo Gomes divulga detalhes sobre seu novo projeto “Cape of Pleasures”, um retrato distópico do envelhecimento

O cineasta Marcelo Gomes, conhecido por Era Uma Vez Eu, Verônica, anunciou seu novo projeto, Cape of Pleasures (Cabo dos Prazeres), selecionado para o CineMart 2025, mercado de coprodução do Festival de Roterdã. Em parceria com Cao Guimarães, o filme aborda um futuro distópico onde idosos têm suas memórias extraídas para alimentar uma IA. O longa propõe uma inversão do olhar tradicional sobre a velhice, colocando os idosos como rebeldes e os jovens como apoiadores do regime opressor. Ainda em fase de captação de recursos, o filme já garantiu 80% do orçamento.


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Um papo com Lilia Guerra, autora de “Perifobia”: “Este é um livro de esperança”

A escritora Lilia Guerra relança em março pela Todavia seu livro Perifobia, publicado originalmente em 2018. Inspirada pelas vivências na periferia, Lilia transforma suas observações do cotidiano em contos que dialogam com a desigualdade urbana e a resistência cultural. Em entrevista a Isabela Ferro para a Revista O Grito!, a autora compartilhou como a experiência de escrever online e interagir com leitores moldou sua narrativa, inclusive resultando em personagens e histórias que nasceram desse processo, criando um universo literário interligado, além de outros fatores como o samba, que também a inspirou na construção da obra.


Carnaval na cabeça

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Homem da Meia-Noite faz aniversário no Recife

A mais famosa calunga do Carnaval de Olinda fez um intercâmbio no Recife no último domingo. Além de comemorar seu aniversário de 93 anos, ele ainda homenageou Iemanjá.


Cinema

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Oscar de volta à TV aberta

A TV Globo irá transmitir o Oscar após três anos sem exibir a cerimônia. O sucesso de Ainda Estou Aqui, um filme Original Globoplay, forçou a emissora a buscar um acordo com a Disney, detentora dos direitos. A transmissão será comandada por Maria Beltrão, que já apresentava a cerimônia no Brasil até 2020, último ano em que a Globo exibiu o Oscar. Ainda não foi indicado quem estará ao lado da jornalista comentando o prêmio.


Livros & HQs

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Pós-modernidade em contos entrelaçados de J.C. Marçal

Com A Moranga Sagrada, publicado pela Cepe Editora, o escritor pernambucano J.C. Marçal apresenta uma coletânea de onze contos que, de forma poética e reflexiva, abordam os desafios da pós-modernidade. A obra reúne temas como empoderamento feminino, tecnociência, os impactos da pandemia, a memória da ditadura militar e o papel da arte em momentos de crise, configurando-se como um trabalho literário robusto e sensível, que conecta diferentes perspectivas sobre o mundo contemporâneo. Segundo a crítica de Isabela Ferro, o autor demonstra habilidade ao equilibrar uma escrita sofisticada com narrativas de intensa carga emocional.


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