"Ainda Estou Aqui", Oscar e a semana histórica pro cinema brasileiro

E ainda: Marcelo Caetano, FKA twigs e a nova poesia pernambucana

O cinema brasileiro teve uma semana histórica com as três indicações ao Oscar de Ainda Estou Aqui. O longa de Walter Salles concorre a melhor filme internacional, melhor atriz para Fernanda Torres e melhor filme. A disputa pelo prêmio máximo na Academia mostra a força do filme nessa temporada, o que energizou ainda mais a torcida brasileira, que vive um clima de euforia.

A nossa newsletter tem vários conteúdos sobre o filme e sobre o Oscar, incluindo uma linha do tempo da participação do Brasil no prêmio e ainda uma lista com todos os filmes indicados e onde vê-los.

Ainda na editoria de cinema, temos dois conteúdos incríveis: um papo com Marcelo Caetano, diretor de Baby, que estreou recentemente depois de fazer bonito em festivais ao redor do mundo e uma conversa longa com Thalles Junqueira, um dos principais diretores de arte em atuação no país hoje. Ele assina O Agente Secreto, de Kléber Mendonça Filho, que se passa no Recife dos anos 1970.

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Boa leitura – Paulo Floro e Antônio Lira.

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“Luiz Melodia – No Coração do Brasil” faz um contorno rico da história e do legado do artista

A partir de entrevistas, apresentações e um roteiro que equilibra memória e crítica social, Luiz Melodia – No Coração do Brasil, documentário de Alessandra Dorgan, explora a trajetória do cantor carioca, desde sua infância no Morro de São Carlos até sua consagração como um símbolo de resistência cultural. A crítica de Antônio Lira sublinha a forma como, além de celebrar sua obra, o documentário propõe reflexões sobre as complexas relações entre artistas negros, a indústria cultural e o público, tornando-se uma peça valiosa para entender não só Luiz Melodia, mas também a música afro-brasileira e sua história.


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FKA twigs se entrega ao hedonismo em “EUSEXUA”, seu novo álbum

FKA twigs lançou hoje (24) EUSEXUA, seu terceiro álbum de estúdio, marcado por uma abordagem experimental na música eletrônica e centrado na pista de dança como espaço de hedonismo e transcendência. O disco, precedido pelos singles “Eusexua”, “Perfect Stranger” e “Drums Of Death”, conta com participações de Koreless e North West, que canta em japonês em “Childlike Things”. Aclamado pela crítica, recebeu 9,1 da Pitchfork e o selo de “Best New Music”.


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Fernanda Torres é indicada ao Oscar de melhor atriz por “Ainda Estou Aqui”

Fernanda Torres foi indicada ao Oscar 2025 como Melhor Atriz por sua elogiada performance em Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles. Interpretando Eunice Paiva, mãe e ativista de direitos humanos durante a ditadura militar brasileira, Torres desponta como uma das favoritas da temporada, após vencer o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Drama. O longa também foi indicado a Melhor Filme e Melhor Filme em Língua Não Inglesa, consolidando sua relevância nesta temporada de premiações. No Brasil, Fernanda Torres foi celebrada nacionalmente por ser a segunda atriz da nossa história a concorrer a um Oscar, sendo a primeira sua mãe, Fernanda Montenegro.


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Marcelo Caetano e “Baby”: um retrato sensível da realidade e do desejo

Baby, novo longa-metragem de Marcelo Caetano, estreou em 9 de janeiro e conquistou relevância internacional, com exibição na Semana da Crítica do Festival de Cannes 2024. O filme acompanha Baby (João Pedro Mariano) e Ronaldo (Ricardo Teodoro) em uma narrativa que mescla paixão, conflito e o cotidiano marginal das ruas de São Paulo. Em uma conversa com Isabela Ferro para a Revista O Grito!, Marcelo Caetano fala sobre explorar os limites entre realidade e desejo através rigoroso controle narrativo. O filme também marca uma evolução na linguagem de Caetano em relação a seus trabalhos anteriores, como Corpo Elétrico (2017), com uma abordagem cinematográfica que une profundidade política, sensibilidade estética.


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Um papo com Thales Junqueira: “A direção de arte só cumpre seu papel quando é capaz de narrar”

O diretor de arte é o profissional que traduz o roteiro em um universo visual coerente e cativante, coordenando cenários, objetos, cores e texturas para construir a estética de um filme. Thales Junqueira, destaque nessa função, é responsável pela direção de arte do aguardado O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, ambientado no Recife dos anos 1970, além de ter trabalhos aclamados como Aquarius, Bacurau e Que Horas Ela Volta?. Em uma segunda entrevista, Isabela Ferro também conversa com Thales discute a importância de criar ambientes visuais que potencializem a narrativa, como no detalhado retrato histórico de seu novo projeto.


Cinema

Conclave

“Conclave” é utópica visão sobre a Igreja Católica em bom suspense de Edward Berger

Conclave (2024), dirigido por Edward Berger e indicado ao Oscar 2025 em oito categorias, incluindo Melhor Filme, é um suspense sólido, mas previsível. Baseado no best-seller de Robert Harris, o filme explora o processo de eleição papal, mesclando tensão religiosa com reviravoltas roteirísticas. A crítica de Alexandre Cunha aponta como a estética visual e sonora de alta qualidade de Berger mantém o espectador imerso, especialmente através da fotografia sombria e da trilha sonora. Ralph Fiennes brilha como o protagonista atormentado, mas o roteiro sofre com diálogos artificiais e soluções narrativas forçadas.


17anora review bhl

“Anora”: montanha-russa sentimental regada a sexo, luxo e ingenuidade

Anora (2024), dirigido por Sean Baker, é uma vibrante e caótica narrativa sobre juventude, desejo e desigualdade social, centrada na história de Anora (Mikey Madison), uma trabalhadora do sexo que se casa com Ivan (Mark Eydelshteyn), filho de um magnata russo, em busca de cidadania americana. A segunda crítica de Alexandre Cunha aponta que, apesar de sua energia estilística e montagem dinâmica, o filme tropeça em representações caricatas e uma narrativa que sacrifica profundidade em favor de situações caóticas e momentos cômicos, resultando em uma obra visualmente marcante, mas narrativamente limitada.

🏆 “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro, é selecionado para a competição oficial do Festival de Berlim.


Livros

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Entre perguntas e naufrágios, Manoella Valadares explora poesia anfíbia em “Ninguém Morreu Naquele Outono”

Ninguém Morreu Naquele Outono, estreia literária de Manoella Valadares, é uma poesia que desafia o convencional, navegando entre fragmentação e profundidade reflexiva. O livro rejeita a linearidade, criando nos poemas criam uma experiência de errância que exige do leitor atenção às pausas, interstícios e silêncios. Entre a fluidez do mar, metáfora central, e a densidade de temas como imigração e resistência, a autora constrói uma obra que se posiciona entre o onírico e o concreto.


leo asfora

“Dicionário de Silêncios”, de Léo Asfora: a poética do vazio e da ausência

Dicionário de Silêncios, de Léo Asfora, transforma o vazio em uma linguagem viva e pulsante, explorando a profundidade do silêncio como elemento essencial da expressão. Com versos concisos e carregados de implicações, o autor convida o leitor a decifrar sentidos ocultos e a interpretar não apenas o que é dito, mas também o que se esconde nas entrelinhas. Longe de ser uma ausência, o silêncio emerge como uma presença ativa, espelhando dilemas existenciais e tensões sociais contemporâneas.


carlos gomes oliveira por nathalia tenorio 8

“Nunca é triste um corpo que fala eu te amo”, de Carlos Gomes Oliveira, abraça a complexidade do amor

Nunca é Triste um Corpo que Fala Eu Te Amo, de Carlos Gomes Oliveira, é uma obra poética que transborda as ambiguidades do amor, explorando-o como uma força simultaneamente libertadora e devastadora. Com versos escritos entre 2022 e 2023, o autor constrói um universo lírico que alia suavidade e intensidade, criando um espaço onde o dito e o não dito se entrelaçam em profundos labirintos emocionais. Longe de idealizações, a obra apresenta o amor em sua complexidade, revelando suas tensões entre desejo e dor, fragilidade e potência.


🧒 Marcelo Moutinho lança novo livro de crônicas, “O Último Dia da Infância”.

“Cantagalo”, vencedor de prêmio literário em Portugal, retrata mulheres e desigualdades no Brasil pós-abolição


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